Por Agenor Duque
Poucos perceberam, mas um movimento silencioso que acaba de sair de Washington pode mudar o rumo do sistema financeiro mundial e abrir uma porta inesperada de fuga para milhões de brasileiros presos ao peso do real. Trata-se do chamado Genius Act, lei sancionada nos Estados Unidos que, sob o discurso de modernizar a economia digital, pode representar uma virada estratégica em favor do dólar e também do Bitcoin.
O ato determina que as chamadas stablecoins, moedas digitais atreladas a ativos estáveis como o dólar, passem a ser reguladas e fiscalizadas com rigor. Na prática, os Estados Unidos oficializam um terreno seguro para que bancos, fundos e grandes empresas operem com criptoativos sem medo de colapso. Isso significa liquidez global ancorada no dólar digital, mas também um canal indireto que pode beneficiar o Bitcoin, visto pelo mercado como o ativo escasso por excelência.
Enquanto isso, no Brasil, a população continua presa a um real frágil, corroído por décadas de inflação e instabilidade política. Quem poupa em reais corre o risco de ver seu poder de compra evaporar a cada crise. Com o Genius Act, investidores internacionais podem intensificar a busca por ativos digitais sólidos. Nesse movimento, o Bitcoin ganha protagonismo como porto seguro digital, algo que já vem acontecendo em países que enfrentam moedas frágeis, como a Argentina e a Turquia.
Especialistas afirmam que não se trata apenas de tecnologia, mas de geopolítica. Ao atrelar o ecossistema cripto ao dólar, os Estados Unidos reforçam sua hegemonia monetária e reduzem a margem de ação de rivais como a China. Mas há um efeito colateral que interessa diretamente aos brasileiros: quanto maior a integração do dólar digitalizado e das stablecoins no mercado global, maior tende a ser a valorização indireta do Bitcoin, usado cada vez mais como reserva de valor.
Para cidadãos sufocados pelo real, isso pode representar uma chance rara de escapar da armadilha inflacionária. Guardar parte do patrimônio em Bitcoin, nesse contexto, deixa de ser apenas especulação e passa a ser um ato de sobrevivência financeira. O Genius Act, mesmo sendo uma lei norte-americana, pode se tornar o gatilho para uma corrida ao Bitcoin em países emergentes, onde a população busca alternativas diante do colapso silencioso de suas moedas nacionais.
Se o real já não inspira confiança e o dólar digitalizado começa a se consolidar como pilar de estabilidade, o Bitcoin aparece como a terceira via: descentralizado, limitado e acessível globalmente. É exatamente esse o ponto que pode transformar a jogada americana em um divisor de águas para milhões de brasileiros.
A pergunta que fica é: quando essa porta se abrir de vez, quem estará preparado para atravessá-la?