
Por Agenor Duque
A movimentação que envolve o nome de Flávio Bolsonaro como possível candidato à Presidência reacendeu, nos bastidores políticos, um sinal de alerta. Não é uma questão de simpatia ou antipatia pessoal; os números mostram um impacto direto sobre a viabilidade eleitoral da direita em 2026.
Pesquisas recentes indicam que o eleitorado brasileiro hoje se distribui da seguinte forma: 33% se identificam com a esquerda e o lulismo, 35% com a direita e o bolsonarismo e 31% permanecem independentes. É justamente esse último grupo, o eleitor volátil e não ideológico, que costuma definir as eleições.
E é aqui que surge o obstáculo. Flávio Bolsonaro registra cerca de 52% de rejeição, um patamar que praticamente bloqueia qualquer aproximação com o eleitor independente. Essa barreira reduz, matematicamente, a competitividade de sua candidatura em um eventual segundo turno.
Do outro lado, nomes como Tarcísio de Freitas, também cotado, apresentam rejeição menor, perto de 38%, ampliando o alcance eleitoral e oferecendo cenário mais favorável para uma disputa nacional.
A repercussão no mercado financeiro confirmou a leitura dos analistas. Assim que o nome de Flávio começou a circular como possibilidade real, o dólar subiu 2,4% e a bolsa caiu 4,3%, refletindo o aumento da probabilidade de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e a migração para ativos considerados mais seguros.
Mas a análise não se limita ao impacto econômico. O ponto central é o tabuleiro institucional. Atualmente cinco dos onze ministros do STF foram indicados pelo PT e mais três aposentadorias estão previstas entre 2028 e 2030. Caso Lula seja reeleito, poderá indicar oito ministros ao final do próximo mandato, alcançando cerca de 73% da Corte. Isso criaria um alinhamento institucional incomparável na história recente, com influência simultânea sobre Executivo, STF e Congresso caso a esquerda conquiste também a Câmara dos Deputados, algo que nomes mais frágeis na direita poderiam facilitar.
Outro movimento estratégico observado foi o pedido para que José Dirceu se lance deputado federal em 2026. Caso eleito, poderá disputar a presidência da Câmara, consolidando uma estrutura de poder rara, com Executivo, STF e Legislativo alinhados ao mesmo projeto político.
Diante desse cenário, a pergunta que realmente importa é simples. Qual nome da direita tem condições reais de vencer uma eleição nacional e impedir a formação de um bloco de poder dominado por um único grupo político?
A discussão não é sobre preferências pessoais, mas sobre viabilidade. Uma escolha equivocada agora não compromete apenas 2026, pode determinar o rumo das próximas décadas no Brasil.


