Mesmo assim, é inviável pensar que toda essa estrutura seja suficiente para fiscalizar o que ocorre em um país de dimensão continental, com mais de cinco mil municípios, sem a participação da sociedade. O advento do mundo digital criou novos canais de comunicação e tornou os cidadãos mais ativos e participativos.
As redes sociais permitem que a cidadã ou o cidadão de um município como Serra da Saudade (MG) — o menor do país, com apenas 856 habitantes — possa se comunicar com órgãos sediados em Brasília, como o TCU e a CGU. Esses brasileiros passaram a ter o mesmo acesso dos que moram nas grandes cidades.
Um estudo da Organização Internacional das Instituições Superiores de Controle (INTOSAI) — entidade que congrega tribunais de contas dos países e instituições superiores de controle — publicado em 2024 revelou que o principal desafio decorrente dessa mudança tecnológica é a erosão da confiança dos cidadãos nas instituições. O fenômeno é mundial.
— As pessoas estão mais críticas, mais conectadas, conseguem dialogar e entrar em fóruns e espaços em que, antes, não eram vistas. Portanto, elas estão cobrando mais das instituições — disse o secretário de relações institucionais do TCU, Manoel Moreira de Souza Neto, durante seminário na Câmara dos Deputados, em outubro do ano passado.
Essa mudança tecnológica exigiu que os órgãos de controle e fiscalização do país reorientassem seus programas e desenvolvessem novas maneiras de atuar, envolvendo o usuário final dos serviços do governo: o cidadão.
— Até no TikTok nós estamos. Nossa linguagem mudou. As pessoas têm que entender o que a gente está dizendo — disse o presidente do TCU e ex-senador, ministro Vital do Rêgo Filho, no mesmo encontro.


