
Perto de completar dois meses na mira de denúncias, MW Bank joga sem impedimento
Passados dois meses desde que as primeiras denúncias vieram a público apontando a MW BANK Instituição de Pagamento, sediada em Joinville (SC), como peça-chave em um esquema de golpes aplicados em todo o país, nenhum órgão de investigação — seja da esfera policial, do Ministério Público ou dos órgãos de defesa do consumidor — tomou qualquer iniciativa concreta para apurar os fatos. O silêncio das autoridades contrasta com o crescente volume de relatos de vítimas que, atraídas por promessas milagrosas de dinheiro fácil divulgadas no TikTok, realizaram transferências via PIX para contas da empresa e jamais viram o dinheiro de volta. Enquanto isso, a instituição financeira, que tem como diretor-presidente Witor Corrèa, segue operando normalmente, mesmo carregando no Reclame Aqui a classificação de “Não Recomendada” e um histórico de 144 reclamações registradas em apenas seis meses.
As vítimas descrevem um padrão recorrente: anúncios fraudulentos de rifas online com prêmios milionários ou promessas de multiplicação de valores via PIX direcionam os pagamentos diretamente para contas da MW BANK. Após a transferência, o dinheiro simplesmente desaparece, e qualquer tentativa de contato com a empresa esbarra em um sistema de atendimento que responde a apenas 22% das queixas, levando em média 20 dias para oferecer alguma retorno — prazo mais que suficiente para que os golpistas dissipem os valores. Casos como o de uma vítima que perdeu R$ 1.600,00 em uma rifa inexistente ilustram o drama vivido por centenas de brasileiros.
A empresa alega, em defesa prévia, que não realiza as ofertas e que golpistas estariam utilizando seu nome para aplicar os crimes, deixando os consumidores em um limbo jurídico e financeiro. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que, ainda que a MW não seja a autora direta dos anúncios, sua responsabilidade como instituição de pagamento inclui a obrigação de monitorar as transações suspeitas que ocorrem em suas contas e adotar mecanismos de prevenção a fraudes. O fato de a empresa não possuir sequer o selo de verificação do Reclame Aqui acende ainda mais alertas sobre sua confiabilidade.
Enquanto as denúncias se acumulam e o prejuízo das vítimas ultrapassa a casa dos milhares de reais por ocorrência, a ausência de qualquer investigação oficial levanta uma questão inquietante: até que ponto as instituições financeiras podem operar como canais para golpes sem que o poder público exija responsabilização? Para os lesados, a sensação é de abandono — e de que, no Brasil, quem perde dinheiro em golpes virtuais ainda enfrenta uma batalha solitária contra um sistema que falha antes, durante e depois do crime.



