Falhas
A ocorrência de rombos bilionários revela um padrão, segundo Marques. As falhas decorrem, geralmente, de uma combinação de limitações técnicas, deficiências de governança e dificuldades de detecção em estruturas cada vez mais complexas.
No centro desse problema está o próprio funcionamento das auditorias independentes. A audiência na CAE mostrou algumas das limitações, como o trabalho por amostragem, que impede a verificação de todas as operações da instituição e do seu conglomerado.
Essa metodologia, embora padrão no mercado, pode dificultar a identificação de irregularidades e o acúmulo de distorções ao longo do tempo. De acordo com Marques, enquanto os dados formais ainda não refletem o problema, o mercado já começa a emitir sinais de alerta. Esse descompasso ficou evidente no caso do Master.
— O mercado vê o sinal antes. Quando um banco começa a oferecer 140% do CDI, o alerta já está aceso. Ninguém paga isso se estiver em uma situação confortável. Mas o fiscalizador precisa esperar o balanço anual para agir. É esse hiato que permite que as distorções se acumulem.
Esse intervalo de tempo abre espaço para manobras mais difíceis de detectar, como a emissão de títulos sem lastro ou a supervalorização de ativos para sustentar indicadores de solvência. Para Nogami, do Insper, quando o problema finalmente se torna público, ele já é resultado de um colapso.
— Quando o problema explode, quase sempre há falhas de governança, auditoria, controles internos, supervisão e disciplina de mercado. Os sinais aparecem de forma fragmentada, até que a perda de confiança os torna visíveis.


