
Luiz Carlos Bordoni
O escândalo envolvendo o Banco Master não é um fato isolado. Tampouco é novidade. Trata-se de mais um capítulo de uma história antiga, conhecida e, infelizmente, recorrente no Brasil: a promiscuidade entre poder, dinheiro e influência.
O que chama atenção, agora, é o discurso do presidente Lula. Ao se posicionar sobre o caso, ele toca em pontos corretos, mas o faz tardiamente. Porque esse problema não nasceu ontem. Ele foi sendo construído ao longo dos anos, ganhando corpo, ocupando espaços e criando raízes profundas.
E é exatamente aí que mora o perigo.
Quando a corrupção deixa de ser exceção e passa a ser percebida como parte do sistema, ela deixa de chocar — e passa a contaminar. Torna-se endêmica. Espalha-se de forma silenciosa, corroendo instituições e, sobretudo, a confiança da sociedade.
E não se trata apenas de percepção.
Estudos econômicos apontam que a corrupção no Brasil custa hoje entre R$ 100 bilhões e R$ 170 bilhões por ano. Em uma década, isso representa uma perda superior a R$ 1 trilhão — valor suficiente para transformar estruturalmente áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Ou seja: não é apenas um problema moral. É um problema econômico, social e político de grandes proporções.
Hoje, no Brasil, a corrupção voltou ao centro das preocupações do cidadão. Divide espaço com temas como saúde e segurança pública — e isso revela o grau de desgaste institucional que o país enfrenta.
O caso Banco Master reforça essa percepção. Independentemente do desfecho judicial, o dano político já está consolidado. Porque o que se instala é a sensação de que há um sistema que continua funcionando para poucos, enquanto a maioria paga a conta.
E essa sensação transborda. Transborda para a economia, ao afetar a confiança. Transborda para a política, ao alimentar o descrédito. E transborda, sobretudo, para as eleições.
O eleitor passa a decidir menos por convicção e mais por rejeição. E, quando isso acontece, o ambiente se torna instável, imprevisível — e, muitas vezes, injusto.
As pesquisas já captam esse movimento. A corrupção volta a pesar na formação de opinião, influenciando avaliações de governo e intenções de voto.
O governo reage, ajusta o discurso, tenta demonstrar controle. Mas corre atrás de um problema que não nasceu agora — e que dificilmente será resolvido apenas com palavras.
No fundo, o caso escancara uma dificuldade histórica do país: romper com práticas que atravessam governos, partidos e gerações.
Enquanto isso não for enfrentado com consistência, novos episódios continuarão surgindo. Com nomes diferentes, mas com a mesma essência.
E assim seguimos: entre escândalos que se repetem e uma sociedade que, cada vez mais, cobra — mas, ao mesmo tempo, acredita cada vez menos.
No Brasil, o escândalo muda de nome — o prejuízo é sempre o mesmo: bilionário… e pago pelo cidadão.



