
Audiência do Conselho de Ética foi suspensa e remarcada para o dia 12, terça-feira
A audiência do Conselho de Ética da Alesp, marcada para terça-feira (5), foi adiada por falta de quórum para o próximo dia 12, em uma manobra que, segundo observadores, visa impedir decisões desfavoráveis aos dois deputados acusados de violência contra a mulher. Originalmente, a reunião ocorreria às 10h para deliberar sobre as representações contra Guto Zacarias (Missão) e Lucas Bove (PL). A ausência de quórum foi interpretada como uma tentativa de protelar o julgamento, já que ambos os parlamentares enfrentam acusações graves relacionadas a agressões e coerção contra suas ex-companheiras.
No caso de Guto Zacarias, a acusação é de que ele teria pressionado sua ex-companheira, de 22 anos, a realizar um aborto no primeiro semestre de 2024. Em um áudio apreendido, Zacarias dá ordens à mulher para procurar determinada clínica, o que motivou a representação da Bancada Feminista do PSOL, com pedido de cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar. A denúncia também foi oferecida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 17 de julho de 2025, por violência psicológica contra a mulher, no âmbito da Lei Maria da Penha.
Já o caso de Lucas Bove envolve agressões contra sua ex-mulher, Cíntia Chagas, com representação da deputada Mônica Seixas (Movimento das Pretas), que pede a suspensão do mandato por um mês — penalidade já considerada procedente na última reunião do conselho. Enquanto, no caso de Zacarias, a representação pede a cassação, para Bove a solicitação é de suspensão temporária.
Paula Nunes, única mulher no colegiado, votará com o relator em ambos os casos, mas o adiamento por falta de quórum posterga qualquer decisão sobre os dois parlamentares.


