

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Ministério dos Direitos Humanos, aprovou um relatório que não deixa mais margem para dúvidas: Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976. O documento enterra a falaciosa versão do acidente automobilístico, expondo fraudes, adulteração de provas e a atuação direta de militares para ocultar o atentado político. Meio século depois, a verdade que tentaram soterrar na curva da Via Dutra finalmente veio à tona, confirmando o que a história já denunciava.
O tempo, implacável, não conseguiu esconder os crimes do regime de exceção. As investigações comprovaram que a batida de um ônibus que supostamente teria causado a colisão “jamais ocorreu”, e JK foi atraído para uma armadilha em um hotel antes de ter seu veículo sabotado. A cada nova página virada, os arquivos da ditadura revelam mais sangue: torturas, desaparecimentos forçados e uma lista de mortos que ultrapassa as 434 vítimas oficiais. A memória resiste e prova que o horror não pode ser apagado por decretos ou pelo silêncio cúmplice.
Lamentavelmente, enquanto a verdade histórica avança, setores da política insistem em defender aquele período sombrio. Políticos que se intitulam democratas frequentemente recorrem ao negacionismo, tentando relativizar ou justificar as atrocidades cometidas pelo Estado. Herdeiros da repressão ocupam espaços de poder e promovem uma narrativa que romantiza o regime, ignorando que a “ordem” de então era construída com base na violência. Defender a ditadura é um atentado à democracia, e aqueles que o fazem revelam, com suas próprias palavras, a que profundidade a degradação política pode chegar.



