
Moradores participaram ativamente de audiência para tirar dúvidas sobre tarifas, desapropriações e integração; expectativa é gerar 10,5 mil empregos e beneficiar 672 mil passageiros por dia.
A audiência pública realizada na Câmara Municipal de Jundiaí, na última quarta-feira (1º), marcou um passo importante no diálogo entre poder público e população sobre o futuro da mobilidade na região. Com a presença do presidente do Legislativo, Edicarlos Vieira, do secretário de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, Marco Antonio Bedin, e do diretor-presidente do Consórcio TIC Trens, Pedro Moro, o encontro abriu espaço para que munícipes previamente inscritos tirassem dúvidas diretas sobre os projetos.
As perguntas da comunidade refletem as preocupações concretas de quem vive o dia a dia da cidade: desde o valor da tarifa do Trem Intermetropolitano (TIM) – que conectará São Paulo a Jundiaí, Louveira, Vinhedo, Valinhos e Campinas – até a possibilidade de integração com o transporte metropolitano. Questões sobre desapropriações nas áreas de passagem das linhas, licenciamento ambiental e as obras necessárias para amarrar os trilhos ao mobiliário urbano de Jundiaí também estiveram na pauta.
Do ponto de vista da engenharia e infraestrutura, os representantes esclareceram que as grandes intervenções – viadutos, passarelas e passagens inferiores – ficam a cargo do Governo do Estado, que já iniciou trabalhos no trecho entre Jundiaí e Campinas. Nesta fase inicial, os serviços envolvem implantação de canteiros, preparação de terreno, terraplenagem, contenções e adequações ferroviárias. Um dos destaques é a duplicação do viaduto ferroviário sobre o Rio Jundiaí: a estrutura existente abrigará as linhas do TIC e do TIM, enquanto o novo viaduto será destinado aos trens de carga, com previsão de alargamento futuro da via.
Mais do que uma obra de engenharia, o projeto é visto como um vetor de transformação regional. O secretário Bedin enfatizou a importância de falar com transparência à população sobre um empreendimento que beneficia não apenas Jundiaí, mas toda a Região Metropolitana, com ganhos em mobilidade e qualidade de vida. Pedro Moro complementou destacando o desenvolvimento para a RMJ, seja para quem viaja a trabalho, para estudar ou visitar cidades do entorno, sempre com o compromisso de minimizar os impactos durante as obras.
O projeto TIC Eixo Norte, que integra quatro serviços – o Trem Intercidades (TIC), o TIM, a modernização da Linha 7-Rubi e uma linha exclusiva para cargas – representa um investimento de R$ 14,2 bilhões. A expectativa é gerar 10,5 mil empregos e beneficiar cerca de 672 mil passageiros por dia. As operações têm cronograma definido: o TIM deve começar a circular em 2029, e o TIC, em 2031. O encontro na Câmara, portanto, não foi apenas uma sessão de esclarecimentos, mas um termômetro do engajamento da sociedade com um projeto que vai redefinir os deslocamentos e o desenvolvimento da região na próxima década.



