
(Flávio Bolsonaro, em fotomontagem com recurso de IA)
Se comprovada a fortuna de R$ 600 milhões atribuída ao presidenciável de extrema-direita, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um trabalhador assalariado teria que trabalhar 32.938 anos, sem gastar nenhum centavo, enquanto um CEO teria que trabalhar exatos 1.000 anos, também sem gastar nada, para juntarem o equivalente ao patrimônio do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O número foi trazido à tona pelo ex-deputado Julian Lemos, que coordenou a campanha de Jair Bolsonaro no Nordeste em 2018. Em entrevista a um podcast, Lemos afirmou que o patrimônio do senador hoje seria de R$ 600 milhões — e o do irmão Eduardo Bolsonaro chegaria a R$ 150 milhões. As declarações foram reproduzidas pelo portal Metrópoles, que também cita reportagens do Intercept Brasil sobre o assunto.
O salto patrimonial em números
O dado mais impressionante é a comparação com a última declaração de bens de Flávio à Justiça Eleitoral. Em 2018, quando disputou sua última eleição, o então deputado declarou possuir R$ 1,7 milhão em bens.
De R$ 1,7 milhão para R$ 600 milhões, o crescimento é de 35.194% — ou seja, o patrimônio teria se multiplicado por 352 vezes em oito anos. Para efeito de comparação, isso equivale a uma taxa média de crescimento anual de 108%, mais que o dobro a cada ano, durante todo o período.
O que significam R$ 600 milhões na vida real
Para dimensionar essa cifra, vejamos o esforço que um trabalhador comum precisaria fazer:
· Salário mínimo (R$ 1.518 em 2025): economizando 100% da renda mensal, sem gastar com alimentação, moradia ou qualquer despesa, seriam necessários 395.257 meses de trabalho — o equivalente a 32.938 anos.
· Alto executivo (R$ 50 mil por mês): mesmo um CEO que recebesse esse salário e não gastasse um real precisaria de 12.000 meses, ou 1.000 anos exatos, para atingir o mesmo montante.
Ou seja: um trabalhador que ganha o salário mínimo teria que começar a poupar 32.938 anos antes do nascimento de Cristo para chegar lá hoje. Um executivo de alto escalão precisaria ter iniciado sua poupança na Idade Média — e vivido até agora sem gastar nada.
O que se sabe e o que não se sabe
As informações, vale ressaltar, partem de uma declaração de Julian Lemos — que rompeu com a família Bolsonaro ainda na transição de governo em 2018 — e não foram acompanhadas de provas documentais no vídeo em que fez a afirmação. A campanha de Flávio Bolsonaro disse que não irá comentar o assunto.
O senador está na mira da Polícia Federal por suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, e no dia 15 de agosto terá de apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral sua nova declaração de bens, oito anos depois da última eleição que disputou.
Até lá, os números falam por si: um crescimento de 35.194% em oito anos — algo que, para um assalariado, levaria mais de 30 mil anos de trabalho ininterrupto para ser alcançado.


