
Por R$ 20 bilhões no orçamento de 2026, Jaques Wagner (foto),libera porteira para colocar Bolsonaro em liberdade em dois anos
O ato mais grave da legislatura acaba de ser consumado. Sob o disfarce técnico de “dosimetria penal”, 48 senadores não apenas votaram a favor da anistia aos criminosos do 8 de janeiro, como o fizeram após uma das transações políticas mais cínicas e descaradas dos últimos tempos. E no centro desta operação, que trocou a justiça por orçamento, está o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que atuou como “corretor” do governo na “venda” da democracia por R$ 20 bilhões a serem arrecadados a mais no próximo ano.
Não nos enganemos: este projeto não trata de “critérios objetivos”. Trata-se do mais explícito “salve-se quem puder” legislativo da história. É o abraço institucional ao vandalismo. E, conforme revelado, foi Jaques Wagner quem, por iniciativa própria, costurou o “acordo” que facilitou a passagem do projeto. Em troca da não-obstrução da aberração jurídica pela base governista, a oposição liberou a votação de um projeto que injeta R$ 20 bilhões nos cofres públicos. O líder petista transformou a defesa da democracia em moeda de troca, alegando cinicamente que, como a derrota era inevitável, “não mudaria em nada o resultado”. Ou seja, diante da iminência de uma derrota política, ele optou por negociar a derrota moral do governo e do Estado de Direito.
Enquanto a ministra Gleisi Hoffmann e outros aliados do Planalto repudiavam publicamente qualquer negociação, Jaques Wagner agia nos bastidores como um “maquiavélo de araque”, entregando de bandeja uma vitória monumental ao golpismo em troca de uma contabilidade fiscal paliativa. Seu “acórdão” não foi uma jogada de mestre, mas a admissão cabal da rendição. É o tipo de cálculo que corrói a credibilidade de um governo e mancha irreversivelmente uma trajetória política
Os que votaram a favor (48 senadores), assinaram sua concordância com a barbárie. Nesta lista, figuram desde o oportunismo cínico de figuras como Ciro Nogueira (PP-PI) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG) – este, o presidente da Casa que capitaneou a vergonha –, até o núcleo duro do bolsonarismo mais rasteiro: Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Magno Malta (PL-ES) e Marcos do Val (Podemos-ES). Junta-se a eles Sergio Moro (União-PR), o ex-juiz que se tornou o político que mais prega exceções à lei. A lista é um retrato falado do pior do Congresso.
Do outro lado, votando CONTRA este acinte, estão os 25 senadores que, ao menos nesta hora decisiva, não negociaram a democracia. Seus nomes, por partido, devem ser lembrados como a resistência mínima e necessária frente à capitulação de seu próprio líder:
Confúcio Moura (MDB-RO), Fernando Dueire (PE), Fernando Farias (AL), Jader Barbalho (PA), Marcelo Castro (PI), Renan Calheiros (AL), Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB).
Ana Paula Lobato (PSB-MA).
·Leila Barros (PDT-DF).
Soraya Thronicke (PODEMOS-MS).
·LDaniella Ribeiro (PP-PB).
José Lacerda (PSD-MT), Jussara Lima (PI), Mara Gabrilli (SP), Otto Alencar (BA), Zenaide Maia (RN).
· PT: Augusta Brito (CE), Beto Faro (PA), Fabiano Contarato (ES), Humberto Costa (PE), Jaques Wagner (BA) (que, paradoxalmente, votou contra após arquitetar a aprovação), Paulo Paim (RS), Randolfe Rodrigues (AP), Rogério Carvalho (SE), Teresa Leitão (PE).
Este projeto não passa de uma trégua concedida pelos poderosos a si mesmos. É um recado claro: para as elites que patrocinaram o golpe, há regras. Para a ralé que invadiu e quebrou, há perdão. E para um líder de governo, há a ilusão de que R$ 20 bilhões no Orçamento são capazes de limpar o sangue e os estilhaços dos vidros quebrados da democracia.
O Brasil de hoje é mais pobre, mais cínico e mais perigoso. O Congresso Nacional, sobretudo o Senado, enterrou qualquer resquício de autoridade moral. E o governo Lula, através de seu líder no Senado, mostrou que, no jogo do poder, alguns princípios têm, sim, um preço. Jaques Wagner pode dizer que “não se envergonha de nada”. A vergonha, senador, agora é um fardo que carregam todos aqueles que ainda acreditavam que este governo saberia, ao menos, não capitular sem lutar.
O som que ecoa do Plenário não é o da razão. É o ruído da covardia travestida de realpolitik. Um som comprado, combinado e pago por vinte bilhões de peças de prata.


