
O alerta da The Economist sobre uma suposta “brasilização” da economia global, caracterizada por juros altos e dívida crescente, peca por um reducionismo perigoso ao usar o Brasil como mero estereótipo de crise fiscal. A análise da revista, por conveniência, ignora o contexto global e as causas estruturais que transcendem fronteiras. Ao destacar a Selic a 15% e os gastos com aposentadorias sem aprofundar a discussão sobre a rigidez institucional e a necessidade de reformas, o veículo britânico simplifica uma realidade complexa, sugerindo que o problema é “brasileiro” por essência, quando, na verdade, países ricos enfrentam dilemas fiscais semelhantes agravados por suas próprias dinâmicas políticas e envelhecimento populacional.
Atribuir ao Brasil o epíteto de “alerta” para o mundo rico, não é apenas injusto, mas analiticamente frágil. superficial. O país citado como exemplo de “dinâmica fiscal explosiva” é o mesmo que, conforme a própria matéria admite, apresenta “orçamento primário quase equilibrado” e “crescimento”. Essa contradição expõe o viés da narrativa, que prefere um rótulo alarmista a uma análise que contextualize os juros altos como ferramenta de combate à inflação em um cenário pós-pandêmico e de tensões geopolíticas que afetam todos os países. Em vez de “brasilização”, o que se vê é a globalização de desafios fiscais e monetários, para os quais o Brasil busca soluções em meio a um sistema financeiro internacional que penaliza desproporcionalmente as economias emergentes.



