
Venderam a noiva por um dote cujo valor só eles sabem.
Trocaram a parábola pelo bordão de guerra.
O altar, antes quieto, agora é lugar do sermão que balbucia o amém para o açoite da terra.
O rebanho, que seguia a estrela do Norte,
Marcha cega ao som de um tambor que ecoa o medo.
A Bíblia, aberta no versículo do ódio ao salvador tem a página suja de sangue.
O pastor fala em cordeiros, mas sonha com lobos, oferece a outra face, não para perdoar, mas para sentir o baque da mão do algoz, e gritar depois que é perseguido no ar.
O Reino prometido não cabe num cargo,
Nem desce do céu em jatos de campanha.
Mas eles erguem um ídolo de pólvora e bronze.
E chamam de cruz a sua falange estranha.
Cuidado, irmão, com quem unge a espada.
E abençoa a fera que devora o amparo.
A semente do Evangelho não germina.
No asfalto quente do desespero.


