
A proposta do governador Cláudio Castro “Lampião” (fotomontagem), de gratificação financeira por “cada execução sumária” de criminosos, apresentada no estado do Rio, é uma medida que atravessa a tênue linha entre a política de segurança pública e o financiamento estatal de milícias. Ao estabelecer um pagamento por resultado letal, o poder público institucionaliza um incentivo perverso, onde a vida humana vira moeda de troca. Esse mecanismo se confunde, na prática, com a contratação de pistoleiros, transformando agentes do Estado em potenciais matadores de aluguel remunerados com os impostos da população.
Mais grave ainda é o deslocamento de responsabilidade que esse sistema promove. Ao premiar a “execução” em vez de priorizar a prisão em flagrante, a investigação e o devido processo legal, a proposta esvazia o Estado de Direito. O governador, ao assinar e defender tal medida, assume um papel sinistro: o de mandante oficial de ações letais extrajudiciais. Ele se torna, simbolicamente, o patrocinador público de cicários “legalizados”, cuja atuação é incentivada por recompensa financeira.
Portanto, não se trata de uma política de segurança, mas da capitulação do Estado à lógica do crime que se pretende combater. A violência estatal sistematizada e premiada em dinheiro corrói os fundamentos da democracia e abre um perigoso precedente de impunidade para quem porta um distintivo. É a barbárie sendo não apenas tolerada, mas financiada e transformada em protocolo governamental, com consequências devastadoras para a sociedade.


