
Esporte não é minha área de atuação jornalística, mas como torcedor, penso, posso arriscar alguns caracteres para lamentar a “expulsão” da nossa seleção dessa Copa de 2026
A eliminação do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo não é apenas um revés esportivo. É, sem sombra de dúvida, a pior situação já vivida pela Seleção em todas as Copas. Não pela derrota em si, mas pela forma patética e conformada com que ela foi construída. E o que mais indigna é ouvir, saindo do vestiário, o discurso repetitivo e enlatado de que “vamos aprender com esses erros”.
Parem com essa conversa mole! A Copa do Mundo não é escolinha de futebol. Não é o quintal de casa nem o campeonato sub-20. É o palco máximo, a vitrine definitiva onde o Brasil não pode – e não deve – ter tempo para “aprender”. O verdadeiro brasileiro aprende o futebol na várzea, na pelada com os amigos, nos anos de treino no clube. Quando veste a amarelinha em um Mundial, o jogador tem a obrigação de saber. Não existe lição de casa na fase eliminatória de uma Copa. Erro nesse nível é imperdoável, e tratá-lo como “processo de aprendizado” é um tapa na cara da nossa história pentacampeã.
O futebol brasileiro é, por essência, futebol-arte, gingado, malandragem e improvisação. É a cadência do samba, a imprevisibilidade do drible. O que vimos contra a Noruega foi um time burocrático, europeizado, medroso, que trocava passes laterais como se estivesse treinando obediência tática. Matamos a nossa própria identidade para tentar imitar a eficiência fria dos nossos algozes, e falhamos miseravelmente. A Noruega não nos venceu pelo talento; venceu pela nossa covardia em ser quem somos.
E não dá para esconder o fiasco na casamata. É lamentável que Carlo Ancelotti, com toda a sua experiência e currículo, tenha descoberto tarde demais que Endrick e Neymar poderiam – e deveriam – atuar juntos. Como é possível um técnico bilionário precisar de uma Copa do Mundo para “testar” o que a torcida já pedia há meses? O Endrick não é um “projeto futuro” para ser usado na estreia; é a nossa maior joia do presente. E Neymar, apesar de todas as polêmicas, ainda é o nosso cérebro criativo. Ancelotti queimou os primeiros jogos em experiências frustrantes e, quando a água bateu no pescoço, recorreu ao óbvio. Tarde. Muito tarde.
A saída do Brasil na primeira fase ou nas oitavas (diante de uma Noruega, pelo amor de Deus!) é a pá de cal na narrativa do “processo”. A Seleção não vai à Copa para terceirizar o erro e consertar depois. A Seleção vai para impor o respeito, para mostrar o futebol arte que encanta o mundo. O que vimos foi um time sem alma, sem personalidade e, pior, sem a malandragem típica de quem sabe virar um jogo adverso.
Chega de desculpas! Que essa eliminação histórica sirva, no mínimo, para envergonhar essa comissão técnica e esses jogadores. O Brasil não aprende com erros na Copa; o Brasil cobra acertos. E, dessa vez, fomos cobrados com a nossa pior nota. Lamentável.


