
O caso segue para a Polícia Federal de São Paulo; documentos devem ser juntados ao inquérito da Reag
O capital social da Via House Investimentos S/A, empresa do prefeito de Votuporanga, interior de São Paulo, Jorge Augusto Seba e do fundador da Reag, João Carlos Mansur, investigado no esquema Master, em dois anos subiu de R$ 350 mil para R$ 15,3 milhões. Um crescimento de 4.285,71% ou 43,87 vezes o valor inicial.A sociedade entre eles foi denunciada pelo vereador Cabo Renato Abdala (PL). Ele levou o caso à Polícia Federal por suspeita de uso de fundos podres pela House, através da Reag.
A ligação entre Mansur e Seba ainda não foi explicada. O prefeito abriu a Via House em setembro de 2016. Desde então já está em seu terceiro endereço físico. Começou em Votuporanga, na rua Mato Grosso, no prédio da Associação Comercial. Em janeiro de 2018, a sede passou para a avenida JK, no 18º andar de um edifício famoso, em São José do Rio Preto. Hoje, a sede da empresa está no maior centro financeiro do país, a avenida Faria Lima, 3144, Itaim Bibi, São Paulo.
FUNDOS REAG
A reportagem teve acesso a documentos que comprovam que a Via House usou fundos da Reag, agora liquidada junto com o Banco Master. Vários aportes milionários foram realizados pela empresa de Jorge Seba e João Mansur. O capital atual é de quase R$ 20 milhões. Uma das assembleias que aprovou o aporte de R$ 5 milhões, por exemplo, foi presidida por Seba. Em outra assembleia, João Mansur presidiu e houve a aprovação de outros R$ 10 milhões.
“Laranjas”
Nos documentos oficiais da Via House a reportagem encontrou vários nomes de pessoas de Votuporanga e São Paulo. Para o vereador Cabo Renato, os nomes podem estar relacionados a “laranjas” usados para mascarar a realidade de eventuais ações ilegais. Entre os nomes estão Luiz Henrique Constâncio Borges, Lucas Marega, Cristiane Márcia Ghisi Diana e Thiago Augusto Marques Cecílio. A reportagem não conseguiu contato com nenhum deles.PF X MANSUR
João Carlos Mansur está sendo investigado sob suspeita de fraude na Reag. Sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master também é investigada.
Histórico policial
O empresário João Carlos Mansur, sócio do prefeito Jorge Seba, tem um histórico de envolvimento em investigações financeiras que antecede os recentes episódios que o levaram a ser alvo da Polícia Federal. Em 2019, ele foi convocado para prestar esclarecimentos em uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal de Palmas, no Tocantins. A CPI investigava as aplicações do fundo de previdência dos servidores municipais, o PreviPalmas, no projeto Cais Mauá, em Porto Alegre. À época, Mansur explicou que sua empresa, a Reag, assumiu a gestão daquele fundo de forma temporária, por um período de aproximadamente dois meses, no início de 2018.
Em seu depoimento, Mansur informou à CPI que, quando a Reag assumiu o controle, o fundo possuía cerca de R$ 4 milhões, metade dos quais já estavam bloqueados judicialmente. Ele sustentou que utilizou a parte disponível para custear despesas operacionais e que não encontrou qualquer irregularidade durante sua breve gestão, baseando-se em documentos herdados do gestor anterior.
Mansu também relatou ter participado de uma reunião técnica na sede da Reag, em São Paulo, com autoridades do PreviPalmas para discutir os detalhes dos investimentos já realizados. A CPI encerrou seus trabalhos sem apontar responsabilidades da Reag, afirmando que o foco era entender o contexto da rápida passagem da empresa pela administração do fundo.



