
O prefeito de Avaré (foto), chamou a polícia para denunciar motorista de aplicativo que reclama de buracos espalhados pela cidade. O partido dele? PL, de Jair Bolsonaro.
A atitude do prefeito de Avaré, Interior de São Paulo, Roberto Araújo (PL), ao denunciar um cidadão à polícia por uma crítica legítima aos buracos da cidade é emblemática de uma cultura política perversa. Ela reflete a lógica bolsonarista de políticos mimadinhos, acostumados a viver em bolhas de bajulação e puxa-saquismo. Qualquer voz que contrarie o poder é vista como inimiga, um incômodo a ser silenciado. Esse é o retrato de uma autoridade que confunde o serviço público com um feudo pessoal.
Em vez de agir de forma autoritária, o dever do gestor seria ouvir a denúncia, reconhecer o problema e mobilizar a máquina municipal para solucioná-lo. O relaxo com a infraestrutura urbana é uma falha grave da administração, e o cidadão que a aponta está exercendo um direito fundamental. A postura correta seria agradecer pelo alerta e demonstrar empenho em corrigir as ruas, não criminalizar a população que sofre com a omissão.
Tal conduta é um ataque frontal à democracia e ao controle social. Quando um prefeito tenta calar criticas com intimidação policial, ele destrói a confiança e enfraquece os mecanismos de prestação de contas. Avaré precisa de gestores que tapem buracos no asfalto, e não que os criem no tecido democrático, perseguindo aqueles que ousam cobrar por seus direitos e por um serviço público decente.


