
A proposta mais comentada da pré-campanha de Leonardo Avalanche à Presidência não é o Imposto Único, nem o aplicativo público para motoristas, mas a distribuição de um iPhone com um ano de internet gratuita a todo brasileiro que concluir um curso de empreendedorismo oferecido pelo governo — incluindo beneficiários do Bolsa Família. A medida, apresentada como ferramenta de capacitação e inclusão digital, já rende ao pré-candidato do PRTB o rótulo de populista tecnológico e levanta dúvidas sobre sua viabilidade orçamentária e eficácia real.
A promessa será oficializada na convenção nacional do partido marcada para 29 de julho, quando o PRTB — que passará a se chamar apenas “Brasileiro” — confirmará Avalanche como seu postulante ao Planalto em 2026. Filho de pastor evangélico e natural de Anápolis (GO), o empresário foi o responsável por lançar Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo em 2024 e coordenar a primeira campanha 100% digital do país. Agora, ele aposta na mesma cartilha das redes para construir uma narrativa de ruptura, tendo o iPhone como símbolo máximo de sua proposta de “democratização do acesso à tecnologia e ao conhecimento”.
A lógica do plano é direta: o cidadão faz um curso gratuito de empreendedorismo oferecido pelo governo, recebe um smartphone de última geração e um ano de dados móveis para, em tese, ingressar no mercado digital — seja como autônomo, pequeno comerciante ou prestador de serviços. A campanha argumenta que a medida reduziria a exclusão digital e estimularia novos negócios, especialmente nas periferias. Críticos, no entanto, apontam o alto custo da iniciativa (estima-se bilhões de reais para cobrir a população adulta) e questionam se um aparelho caro não seria melhor substituído por alternativas mais baratas e escaláveis, como tablets ou celulares de entrada com sistema Android.
Além da aposta tecnológica, Avalanche defende um plano de governo que inclui a criação de um Imposto Único de 3,5% sobre transações, substituindo tributos federais, estaduais e municipais — uma medida que, segundo ele, reduziria o preço final de produtos como carros, alimentos e imóveis, hoje onerados em até 50% por impostos. Também propõe a valorização de motoristas de aplicativo, com financiamento facilitado para compra do veículo próprio e negociação direta com plataformas como Uber para redução das taxas; na falta de acordo, promete criar um aplicativo público com cobrança de apenas 3,5%.
A proposta do iPhone, no entanto, é a que mais mobiliza eleitores nas redes e também a que mais gera ceticismo entre economistas e especialistas em políticas públicas. Para uns, é um chamariz midiático que esconde a falta de detalhamento fiscal; para outros, um gesto concreto de inclusão que poderia, se bem executado, transformar a vida de milhões de brasileiros. O que se sabe, até agora, é que Avalanche aposta na força da imagem: ao associar seu nome a um dos produtos mais desejados do mundo, ele tenta repetir o fenômeno Marçal — mas em escala nacional, com o Brasil como palco. E a pergunta que fica, três meses antes da convenção, é se o eleitor vai comprar a ideia ou vai achar que isso é apenas mais uma promessa de campanha.


