
*Luiz Carlos Bordoni
Donald Trump parece aqueles personagens dos filmes americanos de colegial. O sujeito entra no corredor cercado de admiradores, distribui apelidos, faz piadas, humilha os outros e está convencido de que todos sonham em sentar-se à sua mesa no refeitório.
O problema é quando aparece alguém que não leu o roteiro.
Nesta semana, o presidente americano resolveu contar ao mundo que a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, teria praticamente implorado por uma foto ao seu lado. Coisa de quem acredita que o planeta gira em torno da própria gravata.
Meloni respondeu como uma italiana legítima. Sem pedir licença. Sem rodeios. Sem tremedeira nas pernas. Disse que Trump deveria cuidar da própria popularidade e parar de se preocupar com a dela.
Traduzindo para o português mais popular: “Vai cuidar da sua vida.” Foi um daqueles momentos raros da política internacional em que o balão do ego encontra um alfinete.
Trump pertence a uma espécie cada vez mais comum: a dos homens que se consideram irresistíveis para a humanidade inteira. Entram numa sala certos de que todos querem sua amizade, sua aprovação, sua fotografia e, se possível, seu autógrafo. Às vezes esquecem um detalhe importante: nem todo mundo está impressionado.
Meloni lembrou algo que muitos líderes mundiais parecem ter esquecido. Soberania não é apenas uma palavra bonita para discursos. É também a capacidade de dizer “não” quando necessário. E disse. Com todas as letras.
Talvez por isso a cena tenha chamado tanta atenção. Não foi apenas uma discussão política. Foi um daqueles raros momentos em que alguém olhou para o imperador e avisou que a capa não era tão bonita assim.
No fim, ficou a lição. Há pessoas que atravessam a vida acreditando que são o centro do universo. Até encontrarem uma italiana.
* É jornalista, editor-chefe do canal CAT – www.canallcat.com.br



