
A derrubada do veto do presidente Lula à “anistia” dos golpistas, liderada pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (foto), é um escândalo que vai muito além do bolsonarismo. Deputados e senadores da extrema-direita e do Centrão abriram a possibilidade de colocar nas ruas mais de 200 mil condenados por crimes graves e gravíssimos – incluindo homicídas, latrocínios e integrantes de facções –, sem relação com os atos golpistas. Ao fazer isso, esses parlamentares demonstraram um desrespeito brutal à democracia, movidos unicamente pela defesa dos interesses da família Bolsonaro, que liderou a quadrilha do golpe de Estado.
Na prática, o Congresso não apenas anistia criminosos políticos, como também solta uma massa de condenados perigosos que nada têm a ver com a tentativa de golpe. A decisão escancara o cinismo: usar a pauta da “anistia” como cavalo de Troia para beneficiar uma verdadeira legião de sentenciados graves, enquanto fingem defender direitos individuais. O que se vê é um acordo espúrio entre a extrema-direita e o Centrão para desgastar o governo Lula, ainda que isso signifique colocar a segurança da população em risco.
O eleitor precisa avaliar com rigor se é moral votar nessa gente que tenta, desde 2019, promover um golpe de Estado e agora libera criminosos comuns para proteger seus líderes. Ao dar palanque para Lula denunciar um “Congresso inimigo do povo”, esses parlamentares provam que estão dispostos a tudo – inclusive a por as chaves das celas nas mãos de criminosos perigosos – para manter privilégios e desestabilizar a democracia. A conta desse vale-tudo será paga nas urnas.



