Jair Viana
A recente onda de ataques de deputados e senadores contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, revela mais uma tentativa de intimidar a Justiça para proteger interesses políticos. O ministro tem sido rigoroso na aplicação da lei, especialmente em casos que envolvem ataques à democracia, o que desagrada parlamentares acostumados à impunidade. A investida contra Moraes ganhou força após ele se tornar relator de processos que atingem figuras poderosas, como o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vez de respeitar as decisões judiciais, esses políticos preferem atacar o mensageiro, como se a independência do Judiciário fosse um obstáculo a ser derrubado.
O pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes não passa de uma manobra para enfraquecer o STF e garantir que políticos investigados escapem da responsabilidade. Alguns parlamentares agem como se o Supremo devesse servir a seus interesses, e não à Constituição. A ideia de anistiar golpistas e pressionar juízes mostra o quanto parte do Congresso está disposta a minar a democracia para proteger aliados. Não é sobre defender princípios, mas sobre garantir que as regras não se apliquem a quem está no poder. O discurso de “defesa da liberdade” mascara a tentativa de blindar criminosos.
O Congresso Nacional, que deveria ser um espaço de debate e fiscalização, transformou-se em palco de birras políticas e ataques às instituições. A insistência em pautas como o impeachment de Moraes e a anistia a golpistas revela um legislativo desmoralizado, mais preocupado em salvar aliados do que em governar. Parte desses parlamentares não esconde o desejo de desestabilizar o STF, inclusive buscando apoio internacional para suas campanhas antidemocráticas. É um cenário perigoso, em que o próprio Estado de Direito é tratado como inimigo por quem deveria defendê-lo.
A sociedade precisa ficar atenta, pois o ataque a Alexandre de Moraes não é um caso isolado, mas parte de um projeto maior de enfraquecimento das instituições. Se o Congresso consegue derrubar um ministro por cumprir seu dever, abre-se um precedente perigoso para a manipulação da Justiça. O STF, apesar de suas falhas, tem sido um dos últimos freios contra abusos de poder. Ceder a pressões políticas seria um retrocesso histórico. A democracia não pode ser refém de grupos que só respeitam as regras quando lhes convém. É hora de exigir seriedade dos representantes eleitos, antes que seja tarde.


