
Os R$ 61 milhões repassados por Daniel Vorcaro (fotos), para o filme de Jair Bolsonaro se transformaram em um escândalo que já cobra seu preço eleitoral sobre Flávio. Segundo o Datafolha, o senador perdeu 7% da intenção de voto entre evangélicos e viu sua rejeição subir 6% nesse mesmo nicho, um estrago considerável para quem sempre apostou na fé como trincheira política. Os números mostram que a blindagem religiosa tem limites quando a transparência é questionada.
O desconforto ficou ainda mais evidente no último sábado, quando Flávio não fez a tradicional “daninha” na Marcha para Jesus, no Rio. A ausência contrasta com sua presença assídua em eventos do tipo, sugerindo que o episódio dos milhões virou um peso difícil de carregar. Evitar o palco que antes o consagrava é um sinal claro de que o estrago na imagem ultrapassou a conta bancária.
No meio político, já circula uma piada cruel: Flávio perdeu os votos dos evangélicos porque não deu o dízimo dos R$ 61 milhões. A ironia, porém, expõe uma verdade incômoda — para uma base que prega a honestidade como mandamento, qualquer suspeita de desvio de recursos vira pecado mortal. Sem discurso convincente e sem explicações cabíveis, o senador assiste ao esvaziamento de um capital eleitoral que antes parecia inabalável.



