
Os pronunciamentos de Donald Trump e seus principais auxiliares neste sábado, 3, ao celebrar a queda do regime de Nicolás Maduro, na Venezuela (foto divulgada pir Trump), transcendem a retórica antidrogas dos últimos meses e revelou o verdadeiro motor geopolítico da intervenção: o petróleo venezuelano. A súbita mudança no discurso, de combate ao narcoterrorismo para uma explícita declaração de interesse no recurso energético, expõe a inconsistência e o oportunismo da política externa norte-americana. A máscara da ação humanitária cai, deixando à vista um cálculo estratégico e econômico.
Os recados dirigidos aos países sul-americanos, embora velados, carregam uma preocupante mensagem de soberania limitada. Ao afirmar que os EUA estarão “muito envolvidos” no futuro da indústria petrolífera venezuelana, Trump sinaliza que decisões cruciais sobre recursos naturais da região podem ser tomadas em Washington. Isso cria um precedente perigoso, onde a força militar é justificada por interesses econômicos, minando a autodeterminação das nações.
A fala de Trump, portanto, opera uma perigosa síntese entre intervencionismo e real política energética. O que se vendia como uma missão de justiça contra um regime ditatorial mostra-se, na verdade, uma manobra para controlar uma das maiores reservas de petróleo do mundo. A consequência imediata é a erosão da credibilidade internacional dos Estados Unidos, que agora são vistos não como um garantidor da ordem, mas como um ator que instrumentaliza crises para fins de poder e acumulação.


