
Com um custo bilionário de R$ 4,9 bilhões aos cofres públicos – cerca de R$ 23 por cada brasileiro –, as eleições gerais deste ano escancaram um problema que vai além do orçamento: o voto deixou de ser uma escolha por convicção. Desde 2018, e radicalizado em 2022, o eleitor brasileiro parece ter abandonado a busca pela melhor proposta. Diante de um cenário desgastante, resta optar pelo “menos pior”, num movimento que revela cansaço e descrença.
A polarização, longe de estimular o debate de ideias, ganhou contornos perversos e reduziu a política a um ringue de antagonismos irreconciliáveis. De um lado, um candidato que atua como preposto e estafeta de Donald Trump, importando uma agenda estranha à realidade nacional. Do outro, aquele que agora assume o discurso da valorização da defesa nacional – bandeira que um dia pertenceu ao próprio adversário, num oportunismo que confunde o eleitor.
Nesse jogo de espelhos e contradições, o custo altíssimo do pleito contrasta com a pobreza das opções oferecidas. O cidadão, obrigado a decidir entre dois polos que mais se parecem na ausência de projeto próprio, termina por legitimar um sistema que favorece a radicalização vazia. No fim, o voto não celebra nenhuma vitória: apenas atenua um mal maior, enquanto a conta – financeira e democrática – segue sendo paga por todos.



