

Poucos setores da economia brasileira reúnem, ao mesmo tempo, volume financeiro elevado, baixa renovação tecnológica e forte concentração de mercado como o de benefícios corporativos. O mercado de vale alimentação e refeição aproxima-se de R$ 200 bilhões por ano, atende cerca de 22 milhões de trabalhadores formais e ainda opera, em grande parte, sob um modelo concebido em 1976, quando o Programa de Alimentação do Trabalhador foi criado.
É nesse contexto que surge o Valepix, apresentado como a primeira empresa brasileira a utilizar a infraestrutura do Pix para redesenhar o funcionamento dos benefícios corporativos. A proposta é unificar vale alimentação e vale refeição em um único saldo digital, aceito em qualquer restaurante ou supermercado do país, desde que enquadrado nas regras do PAT.
Mais do que uma atualização incremental, a iniciativa propõe-se a atacar gargalos estruturais de um mercado bilionário que, apesar do crescimento contínuo, permaneceu pouco permeável à inovação tecnológica.
Um mercado grande, ineficiente e sob pressão por mudança
O modelo tradicional do vale alimentação e refeição se baseia em arranjos fechados de pagamento, controlados por poucas bandeiras. Esse desenho criou um ambiente de baixa concorrência, com taxas elevadas e custos operacionais que se espalham por toda a cadeia.
Levantamentos de institutos de pesquisa de mercado e associações do setor de bares e restaurantes apontam que a taxa média cobrada dos estabelecimentos no vale refeição gira em torno de 5%, podendo ultrapassar dois dígitos em contratos menos competitivos. Além disso, o prazo de recebimento pode chegar a 30 dias, afetando diretamente o fluxo de caixa de pequenos e médios negócios.
Em contraste, dados públicos do Banco Central mostram que as transações via Pix operam com custos significativamente menores e liquidação praticamente imediata. Mesmo após a edição do Decreto 12.712, de 2025, que estabeleceu um teto de 3,6% para as taxas do PAT, análises de especialistas em meios de pagamento indicam que o sistema tradicional segue múltiplas vezes mais caro do que uma transação baseada em Pix.
Estimativas de mercado indicam que essas ineficiências podem representar um custo sistêmico próximo de R$ 10 bilhões por ano. Um valor que não se traduz em inovação, melhoria da experiência do trabalhador ou ganhos de produtividade para o lojista.
Para analistas financeiros, esse tipo de distorção costuma sinalizar um setor maduro para transformação.
Como o Valepix pode redesenhar um mercado bilionário de benefícios
O Pix deixou de ser inovação e passou a ser infraestrutura básica do sistema financeiro brasileiro. Hoje, mais de 160 milhões de brasileiros utilizam o Pix, que já está disponível em mais de 98% dos estabelecimentos comerciais do país, segundo dados do Banco Central e do mercado de adquirência.
No setor de alimentação, o contraste é evidente. Estudos setoriais indicam que uma minoria dos estabelecimentos aceita cartões tradicionais de vale alimentação e vale refeição, devido a credenciamento restrito, taxas elevadas e regras operacionais complexas.
A tese do Valepix parte de uma premissa simples: se o Pix já é a espinha dorsal dos pagamentos no Brasil, por que os benefícios corporativos continuam operando à margem dessa infraestrutura?
Na prática, o trabalhador recebe o valor do benefício em uma carteira de benefício vinculada ao Valepix. No momento do pagamento, utiliza o Pix normalmente. Em tempo real, a plataforma cruza a transação com o CNAE do estabelecimento. Se a atividade estiver enquadrada como alimentação ou refeição, a compra é autorizada. Caso contrário, o pagamento é bloqueado automaticamente.
O controle, que antes dependia de redes credenciadas e processos manuais, passa a ser tecnológico, automatizado e escalável.
Eliminação de intermediários e redistribuição de valor.
O modelo tradicional de vale alimentação opera com custos elevados distribuídos por toda a cadeia. Lojistas arcam com taxas altas e prazos longos de recebimento, trabalhadores absorvem preços inflados e empresas contratantes sustentam um sistema rígido e pouco transparente. Esse desenho criou distorções conhecidas, como a revenda informal de benefícios e a elevação silenciosa do custo das refeições.
O Valepix propõe uma inversão dessa lógica. Com liquidação instantânea via Pix, o lojista recebe o valor integral da venda, enquanto o trabalhador passa a utilizar o benefício em qualquer estabelecimento habilitado, muitas vezes com descontos típicos de pagamentos diretos. Para as empresas, o modelo reduz fricções operacionais e simplifica a gestão do benefício.
Segundo Leandro Colhado (foto), fundador da empresa, o problema nunca foi tecnológico. “Criou-se um sistema caro e pouco eficiente, que acabou sendo normalizado ao longo do tempo. O Valepix não é uma evolução incremental, é uma correção de rota”, afirma.
Na avaliação dele, a tecnologia precisa servir ao trabalhador e ao lojista, e não sustentar intermediários.
Portfólio e estratégia de expansão
A atuação do Valepix está organizada em três frentes. O Valepix Alimentar opera dentro das regras do Programa de Alimentação do Trabalhador, utilizando o Pix com controle automatizado por CNAE, o que amplia a aceitação sem romper a conformidade regulatória.
O Valepix Livre atende empresas com modelos flexíveis de contratação, especialmente colaboradores PJ, permitindo o uso do benefício sem restrições de categoria, inclusive para despesas como combustível, alimentação, viagens e pagamento de contas.
Em desenvolvimento, o Valepix Município será uma solução de arranjo fechado voltada a programas públicos e incentivos locais, conectando políticas municipais à infraestrutura do Pix e estimulando a economia local.
Com esse portfólio, o Valepix se posiciona como uma plataforma de benefícios desenhada para escalar sobre a infraestrutura que já domina os pagamentos no Brasil.
O Valepix e a lógica econômica por trás da próxima fase dos benefícios
Do ponto de vista de mercado, o Valepix se posiciona em uma interseção rara. Ataca um setor grande e recorrente, substitui um modelo obsoleto por uma infraestrutura já consolidada e remove intermediários.
Especialistas em inovação financeira costumam destacar que modelos baseados em infraestrutura, e não em produtos fechados como cartões, tendem a capturar valor de forma mais eficiente quando atingem escala.
Nesse sentido, o Valepix se apresenta menos como um novo meio de pagamento e mais como uma camada de modernização de um mercado que permaneceu praticamente inalterado por décadas. Por isso, posiciona-se como uma Benetech, uma empresa de tecnologia especializada em benefícios.
Um setor à beira de reprecificação
O impacto do Pix sobre o sistema financeiro brasileiro é frequentemente citado em estudos do próprio Banco Central e de centros de pesquisa econômica como um exemplo de como eficiência e escala podem pressionar margens históricas e redesenhar mercados inteiros.
Analistas avaliam que um movimento semelhante começa a se desenhar no setor de benefícios corporativos. Quando tecnologia madura, base de usuários ampla e um mercado ineficiente se encontram, o resultado costuma ser uma reprecificação estrutural.
É exatamente nesse ponto que o Valepix se posiciona. E é a partir daí que pode redesenhar o mercado.
Valepix
A primeira empresa brasileira a unificar vale alimentação e vale refeição em um único saldo em Pix para redesenhar um mercado que se aproxima de R$ 200 bilhões.


