<blockquote> <img class="alignnone size-medium wp-image-3353" src="https://brasil24h.com/wp-content/uploads/2025/04/Screenshot_20250421_152444_Instagram-241x300.jpg" alt="" width="241" height="300" /> <em>A gestão do prefeito Fábio Candido (PL) e o Sindicato dos Médicos de São José do Rio Preto entraram em rota de colisão desde o início de seu mandato. A polêmica começou após a Prefeitura acusar profissionais de reduzirem propositalmente o ritmo de atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), agravando filas durante uma epidemia de dengue. O estopim foi um áudio vazado em que uma médica orientava colegas a limitarem o número de pacientes atendidos por hora, estratégia que, segundo a gestão, visava pressionar por contratações.</em></blockquote> <em>Em resposta, a Prefeitura demitiu duas médicas terceirizadas e anunciou a investigação de 14 profissionais suspeitos de registrar ponto sem cumprir jornada, os chamados “médicos fantasmas”. A presidente do sindicato, <strong>Merabe Muniz</strong> (foto), também foi afastada do cargo de coordenadora de emergência após criticar publicamente o prefeito, chamando-o de “ditadorzinho”. A administração alega que as medidas buscam “transparência”, mas médicos denunciam perseguição e falta de diálogo.</em> <em>O sindicato rebateu as acusações, classificando-as como arbitrárias, e anunciou ações judiciais por danos morais coletivos e abuso de autoridade. Merabe Muniz destacou que os profissionais atendiam acima da média recomendada pelo Conselho Federal de Medicina, mesmo com unidades superlotadas e falta de insumos. “A responsabilidade pela saúde não pode recair apenas sobre quem enfrenta condições precárias”, afirmou, ressaltando que a terceirização de 400 médicos via Funfarme fragiliza o controle das jornadas.</em> <em>Enquanto a prefeitura estuda implantar reconhecimento facial para monitorar pontos, a crise estrutural persiste: UPAs operam com equipamentos insuficientes e a epidemia de dengue, que já registra mais de 1.100 casos, sobrecarrega o sistema. Profissionais relatam desgaste físico e emocional, enquanto a população reclama de filas intermináveis. A Polícia Civil investiga suposta prevaricação por parte dos médicos, mas parte da sociedade questiona se a gestão usa os profissionais como bodes expiatórios para desviar a atenção de falhas administrativas.</em> <em>O impasse reflete tensões nacionais entre gestores públicos e servidores. Enquanto processos judiciais avançam, o debate central segue ignorado: como garantir saúde de qualidade sem investir em estrutura e diálogo? Enquanto prefeitura e sindicato trocam acusações, pacientes aguardam respostas que vão além de brigas políticas, em um sistema à beira do colapso.</em> <strong><em>Veja nota do Sindicato </em></strong> <strong><em>"NOTA PÚBLICA DE ESCLARECIMENTO</em></strong> <strong><em>EM DEFESA DA VERDADE, DA JUSTIÇA E DA DIGNIDADE DOS MÉDICOS </em></strong> <strong><em>DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO-SP</em></strong> <strong><em>O Sindicato dos Médicos de São José do Rio Preto vem a público </em></strong><strong><em>manifestar-se sobre a “SINDICÂNCIA ADMINISTRATIVA – PORTARIA N.975, </em></strong> <strong><em>DE 10 DE JANEIRO DE 2025”, a divulgação realizada por mídias locais, bem </em></strong><strong><em>como sobre declarações e decisões oriundas da Prefeitura Municipal que </em></strong><strong><em>vêm sendo amplamente divulgadas sem que tenha sido garantido aos </em></strong><strong><em>profissionais citados o direito constitucional ao contraditório e à ampla </em></strong> <strong><em>defesa.</em></strong> <strong><em>É com profunda preocupação que o Sindicato assiste à tentativa de </em></strong><strong><em>linchamento moral e profissional de médicos que há anos dedicam sua vida à </em></strong><strong><em>população rio-pretense, muitos dos quais atuaram bravamente durante os </em></strong> <strong><em>períodos mais críticos da pandemia e da recente epidemia de dengue, em </em></strong> <strong><em>condições adversas e com estrutura precária.</em></strong> <strong><em>Cabe esclarecer que nenhum dos médicos até o presente momento </em></strong><strong><em>foi formalmente intimado a prestar esclarecimentos, nem sequer para </em></strong><strong><em>ciência do teor da suposta sindicância que, de forma seletiva, está sendo </em></strong><strong><em>vazada à imprensa como fato consumado. Tal conduta, além de violar </em></strong> <strong><em>gravemente o devido processo legal, revela-se como uma tentativa de criar </em></strong> <strong><em>uma narrativa política para encobrir falhas de gestão e estrutura </em></strong><strong><em>na saúde pública municipal.</em></strong> <strong><em>Ainda mais grave é o fato de que as acusações parecem desconsiderar </em></strong> <strong><em>completamente o organograma oficial das unidades de saúde, elaborado </em></strong><strong><em>pela própria Secretaria Municipal de Saúde, sob o conhecimento e chancela do </em></strong><strong><em>Secretário Dr. Adilson Vedroni. Nele estão previstas funções específicas — </em></strong><strong><em>como médicos horizontais e diretores técnicos — cujas atividades não são </em></strong><strong><em>medidas por número de atendimentos diretos, mas sim por suporte, </em></strong> <strong><em>coordenação, gestão e ensino clínico. Investigar esses profissionais com </em></strong> <strong><em>base em números de consultas, sem contextualização técnica, é distorcer </em></strong> <strong><em>a realidade do trabalho médico.</em></strong> <strong><em>Não aceitaremos que a honra, a reputação e o compromisso de </em></strong><strong><em>médicos sejam destruídos por medidas arbitrárias, autoritárias e </em></strong> <strong><em>midiáticas. A responsabilidade de zelar pela saúde da população deve ser </em></strong><strong><em>compartilhada entre gestores e profissionais, mas jamais poderá recair apenas </em></strong><strong><em>sobre quem, na ponta, lida com a dor humana sem as mínimas </em></strong> <strong><em>condições estruturais adequadas.</em></strong> <strong><em>O Sindicato tomará todas as medidas jurídicas cabíveis para resguardar </em></strong> <strong><em>os direitos dos médicos indevidamente expostos, inclusive com eventual </em></strong><strong><em>ajuizamento de ações por danos morais coletivos e individuais, além de </em></strong><strong><em>representações nos órgãos de controle por abuso de autoridade, improbidade </em></strong><strong><em>administrativa e violação à honra funcional dos servidores públicos.</em></strong> <strong><em>Conclamamos a sociedade, os profissionais da saúde </em></strong><strong><em>e a imprensa responsável a refletirem com cautela sobre a</em></strong><strong><em>instrumentalização de denúncias sem o devido processo </em></strong><strong><em>legal, pois hoje são os médicos, amanhã poderá ser </em></strong><strong><em>qualquer outro servidor público comprometido com o bem </em></strong> <strong><em>coletivo."</em></strong>